quinta-feira, 5 de abril de 2012

Minhas artes abstratas - Parte 2: desdobramentos

Obviamente que se a moça de perfil e as nuvens
não fossem desenhadas e pintadas nesta folha de papel,
teríamos um trabalho abstrato.
         

            Neste segunda parte dessa série de artigos vou abordar os desdobramentos e novos caminhos das formas abstratas que descobri e decidi trabalhar.

            Na arte mural que desenvolvi entre 2009 e 2010 fiz uso de muitas formas abstratas que foram pensadas individualmente para depois serem combinadas aos elementos figurativos. Além de experimentar no papel, experimentei também na parede para que eu desenvolvesse mais destreza com a lata de spray e aprendesse a trabalhar melhor com esse material e com a parede. Alguns resultados não me agradaram muito, mas eles ficavam melhor após um esboço mais preciso e detalhado feitos nas folhas de papel.

Esboços de desenhos abstratos em meu caderno que serviram
para a combinação de elementos figurativos em minha arte mural.
Meu trabalho com as formas abstratas no mural.
Combinação com stencils.

              Muitas vezes, ao fazer os desenhos de esboço em folhas de papel eu ficava entusiasmado com as formas e seus desdobramentos e deleitava-me com a profusão delas, às vezes de forma excessiva e um pouco desordenada. Era quase um barroco rococó em uma contemporânea arte abstrata. Deveria ser cuidadoso e ter mais parcimônia com o uso das formas.


Uma profusão "explosiva" de formas abstratas nesta pintura.


              Mesmo assim os desenhos em folhas de papel se tornavam ainda mais prazerosos. As formas quase "brotavam" na folha. A caneta, marcador ou lápis fluía com liberdade e suavidade e assim novas formas eram criadas. Geralmente combino as formas abstratas com elementos figurativos, mas apenas as boas ideias, oriundas do trabalho (algo que faço questão de dizer) me possibilitaram que eu criasse diversas modalidades criativas do emprego de minhas formas abstratas. Mais do que novas modalidades abstratas pessoais estava interessado em boas ideias. E as boas ideias poderiam exigir que essas formas também fossem combinadas com elementos figurativos. Na arte, eu estou a serviço de ideias e não prisioneiro de uma necessidade de uma propagação de um universo pictórico pessoal. Afinal a ideia é a força motriz da arte e, em muitos casos, ela é a arte em si.


Uma folha de papel em branco, uma caneta preta,
alguns marcadores, o tédio e o indesejável barulho
(para não dizer do teor) de uma conversa na sala
dos professores me levaram a produzir esse trabalho.
A caneta deslizava pela folha de papel enquanto
me desligava do ruído exterior.

            No trabalho acima fiz o desenho sem lápis e borracha, trabalhando com a tinta sobre o papel sem esboço prévio. Desenhava e combinava as formas como vinham à mente sem nenhum planejamento, de forma totalmente intuitiva quase instintiva. Tentei desta forma ser mais fiel à inspiração e explorar um modus operandi intuitivo na arte. Claro que a conversa inócua ao meu redor me incentivou bastante para me desligar da vida e me entregar totalmente ao devaneio do desenho. O ruído exterior foi sublimado pelo sopro de inspiração que ecoava em meu interior e o trabalho que surgia diante de mim.
       
            Em momentos como esse pude explorar as texturas em arte abstrata, algumas delas usadas em desenhos de Histórias em Quadrinhos. Se a misturas de cores em uma tela para criar efeitos de volumes, luzes e sombras que vemos em retratos, paisagens e naturezas mortas, poderiam ser os principais elementos de arte nas pinturas abstratas, porque não seguir o mesmo princípio com o desenho? Assim comecei a usar linhas paralelas, hachuras, pontilhismo e retículas como recursos de meus desenhos abstratos. Alguns desses desenhos farão parte de meu fanzine que será publicado nos próximos meses.


O desenho abstrato, desenhado à lápis e finalizado à nanquim
que será lançado em meu fanzine.


            No próximo e último artigo desta série vou falar sobre a nova série de minhas pinturas abstratas. Os trabalhos em desenvolvimento, materiais e suportes e os rumos para o futuro.




sábado, 31 de março de 2012

Minhas artes abstratas - Parte 1: origens

Desenhos abstratos feitos em um pedaço de madeira
que peguei de uma caçamba na rua.
O deleite da construção de desenhos abstratos.
2012 - Spray e marcadores sobre madeira.
     

          "Diz-se ainda que é graças a arte que nós nos libertamos do reino perturbado, obscuro e crepuscular dos pensamentos para, recuperada a nossa liberdade, ascendermos ao reino tranquilo das aparências amigáveis."
G.W.F. Hegel

       
            Vi pela primeira vez essas palavras do filósofo Hegel em uma exposição no Itaú Cultural em São Paulo no ano de 2006. Reencontrá-las em seu livro, um tratado de estética, quatro anos depois foi uma satisfação imensa. Confesso que ao vê-las pela primeira vez, essas palavras me surpreenderam pela clareza e objetividade. Acreditava que esse era um dos fins da arte, e não uma regra de valor absoluto. Na época eu não conhecia Hegel e nem mesmo estava tão familiarizado com teorias da arte, porém eu sabia como empregá-las através de minha arte e localizá-las em uma delimitada ideia de teoria da arte. Ao ler essas palavras de Hegel lembrei-me de Matisse, que sabemos que não era o principal artista da forma, mas que lidava com a cor como elemento compositivo. Nessa época começava a me deleitar com as cores. As ideias de liberdade e deleite estético também estavam em conformidade com as palavras de Hegel. Pelo menos essa era minha impressão. E foi assim que a minha ideia de produção de artes abstratas começou a ganhar força.

           Minhas artes abstratas não nasceram a partir das palavras de Hegel, mas dos efeitos tridimensionais e contornos coloridos das letras dos Bombs e Tags do Graffiti Hip-Hop e de telas de Kandinsky. Vale lembrar que na época eu ainda não havia lido o livro "do Espiritual na Arte" de Kandinsky, portanto era quase incapaz de comentar qualquer coisa sobre seus pensamentos e reflexões de sua arte. Minhas duas primeiras telas abstratas foram feitas em 2006. Uma delas tinha a inspiração de Kandinsky em criar imagens abstratas baseadas em formas orgânicas.

           A inspiração vinda do Graffiti Hip-Hop veio da forma como os artistas trabalham com letras tridimensionais, cores fortes e vários contornos. As formas eu criei após vários rabiscos em papéis soltos e em folhas de caderno quando ficava muito inquieto em aulas teóricas. Nessas horas a caneta esferográfica corria o papel livremente e não pensava muito nas formas que criava, apenas deixava fluir. Algum tempo depois retomava as formas que achava mais bonitas ou interessantes e passava o desenho para um papel sulfite tamanho A4 para a produção, geralmente uma pintura em um suporte mais tradicional. Até hoje uso esse processo na produção de minhas obras abstratas. Possuo uma pasta e três cadernos com desenhos e esboços dessas formas.


Formas abstratas que nasceram do deleite
do desenho nos momento mais inesperados...
nessa hora qualquer caderno serve...

            Em 2007, pintei um pequeno cubo em um estilo surrealista, porém que tivesse muitas formas abstratas. Essas formas abstratas eram combinadas com nuvens, flores e o sol. Cinco faces do cubo foram pintadas com estas formas incomuns. Decidi que esta seria a linha de trabalho que adotaria em diante.


Na arte deste cubo, as formas abstratas eram derivadas de
formas orgânicas, especialmente plantas e flores.

Ainda com o mesmo cubo, as quatro faces laterais foram trabalhadas
ao estilo surrealista, mas já ostentavam formas abstratas.


            No primeiro trimestre de 2008, uma aluna me encomendou uma arte para ser feita sobre uma caixinha de MDF que ela havia comprado. Ela queria que eu pintasse a imagem dela com o noivo para presenteá-lo. Embora os elementos de figuração estivessem presentes ali como os rostos do casal, o mar, o céu, as nuvens, eu adicionei elementos abstracionistas em formas que considerei bonitas. Lembrei-me novamente das palavras de Hegel, que ficaram gravadas em minha mente.

A caixa vista de cima. Pura arte surrealista.
Vista de ângulo, percebe-se no lado esquerdo algumas formas abstratas.

            Trabalhei da mesma forma em minhas artes da série "Meninas de perfil". Eram moças pintadas de perfil com véus, com várias imagens, nas quais pareciam revelar seus sonhos (veja também: http://clark-ars.blogspot.com.br/2011/01/serie-meninas-de-perfil.html). Haviam elementos abstratos dentro e fora dos veus e eles eram quase decorativos.


Sonhando com formas abstratas...

            As formas abstratas que havia descoberto (talvez inventado) me cativavam cada vez mais. Foi quando decidi que as formas, somente as formas, deveriam ser o motivo de minhas pinturas. Precisava fazer novos trabalhos, novos esboços para definir uma obra definitiva. No ano de 2009 presenteei uma amiga com uma de minhas caixinhas pintadas. Fiz as mesmas formas que usei nos trabalhos anteriores, porém esta caixinha foi pintada exclusivamente com as formas abstratas. Começava aí meu real desenvolvimento de arte abstrata.


Uma pequena caixa de MDF pintada com minha proposta de arte abstrata.
Uma tela com o mesmo desenho (e provavelmente mesmas cores) está a caminho.

          Neste pequeno trabalho (visto acima) fiz toda a pintura com tinta acrílica. Os finos traços foram feitos com um pincel número 0 com a tinta misturada com médium acrílico, que tornou a consistência da tinta mais rala, próxima a do nanquim. Em certos casos uso marcadores permanentes de diferentes espessuras de traço para produzir as linhas.

          Na segunda parte dessa série de artigos que será postada na próxima semana, vou mostrar os rumos e os desdobramentos desses meus desenvolvimentos artísticos abstratos.
          

terça-feira, 20 de março de 2012

Atividades (fevereiro e março) e novos projetos

Cópias reduzidas de páginas desenhadas de meu fanzine.

         
            Nesses dois meses voltei ao trabalho na escola, o que obviamente tomou muito de meu tempo e praticamente emperrou meus projetos mais importantes. Retomei a produção de minhas artes porém com um ritmo muito, mas muito mais lento do que tinha durante as férias.
            O foco principal de meus esforços era o número 1 de meu futuro fanzine (cujo nome só será divulgado em seu lançamento), a recuperação e construção de novos stencils para uma nova série de graffiti e alguns desenhos (na verdade esboços) de uma série de pinturas abstratas que serão feitas em tela, madeira e outros suportes.
           

O Fanzine

            Faltava muito pouco para a conclusão das artes de meu fanzine, cujo lançamento estava programado para março, mas até o dia 20 deste mês, a última arte, uma página de HQ no tamanho A3 ainda não estava pronta. Tive um pouco de problemas com a perspectiva de minha personagem Dani diante do carro, o Chevrolet 1955. Só há dois quadrinhos nesta grande página, porém eles tem detalhes demais, especialmente do carro, na qual devo desenhar com precisão e alto nível de detalhamento, o complexo (porém belíssimo) painel do Chevrolet 1955. Providenciei várias imagens para servirem de referência para que eu possa retratar o modelo nos mínimos detalhes e assim garantir boa verossimilhança.
            O desenho se encontra no início de sua fase final, e em seguida farei a arte-final com canetas nanquim descartável (espessura 0,1 e 0,5mm), e pincéis para a arte-final de Dani. Curvas francesas, réguas e esquadros me auxiliarão nos desenhos mais precisos.
            Após a conclusão dos trabalhos cuidarei do tratamento das imagens e da editoração eletrônica. Tal processo, embora eficaz, me tomará mais tempo. Ter assumido todas as funções da produção do fanzine acarretou em um processo muito mais lento.


As dificuldades de produção da página quatro do fanzine.
O desenho em perspectiva com dois pontos de fuga do Chevrolet 1955.
Usei uma das muitas miniaturas que possuo desse carro como referência, além das fotos.



Telas Abstratas

            O trabalho em quadrinhos é solitário e longo. Submeti-me a um ritmo duro, obrigatório e incessante com as linhas, traços e desenhos em meu fanzine. Tudo isso me levou ao fastio e precisava mudar de trabalho. Sentia falta de formas soltas, do descompromisso com a realidade, da liberdade de criação, do contato com o mais intuitivo de alma e, sobretudo, a falta de cores. Somado às carências, ainda havia o peso das obrigações em meu trabalho que me toma muito tempo. Em meus (poucos) momentos livres, dedicava-me a alguns esboços de novas formas abstratas que adorava desenhar que explodiam em diversas direções. Eu apresentei em 13 de março de 2011 uma tela azul feita com tinta acrílica e marcadores. Eram diversos tons de azul mais áreas em branco e linhas brancas arredondadas. Algumas retículas foram introduzidas em áreas brancas como texturas e para dar maior sensação de degradês e profundidade.
             A tela vermelha foi a segunda dessa série. Ela foi inciada praticamente na mesma época que a tela azul (no primeiro trimestre de 2011), mas foi abandonada meses depois. Só retomei a tela há algumas semanas atrás para terminá-la de vez neste mês de março. O que acarretou tanta demora foi o fato de que a tela não teve nenhum desenho de esboço, portanto não tinha a menor ideia de como iria resolvê-la, que linhas e desenhos eu faria para o preenchimento também. Trabalhei a tela com um fundo vermelho alaranjado com áreas de branco e linhas pretas, feitas com marcadores. Errei muito durante a execução desta tela, retocando as mesmas partes inúmeras vezes, sendo que algumas delas foram raspadas pois a camada de tinta acrílica estava grossa, e em seguidas recobertas com base acrílica, que depois de seca, recebeu uma nova demão de tinta acrílica branca e em seguida os traços com marcadores nas cores vermelha e preta. Foi um desafio terrível pois sem esboços criei tudo de forma intuitiva tentando combinar elementos da melhor forma possível. Cheguei a usar seis marcadores diferentes nesta tela: um branco da marca Posca, dois vermelhos das marcas Sharpie e Sakura e três pretos das marcas Sharpie e dois da marca Posca. As espessuras dos traços eram o principal motivo desta variedade de marcadores.
             O mais curioso é que levava a tela para a escola para pintar entre as 17:00hs e 19:00hs, um período de duas horas ociosas que foram bem preenchidas para a conclusão deste trabalho.


A tela vermelha. A segunda da série de pinturas abstratas.
Foi retomada após meses de abandono.



Considerações finais

            Muito de meu tempo livre é ocupado também com a preparação de aulas, especialmente textos, apresentações em vídeo e infelizmente notas, fatas e diários, a parte mais chata... Claro que tenho minha intensa vida social (está difícil visitar e encontrar parentes em amigos em São Paulo e Minas Gerais) e dedico-me aos meus exercícios físicos. Tudo tão fácil de conciliar...
            Por outro lado, a falta de tempo me obriga a ser mais criativo, organizado e até produtivo, enfim mais objetivo. Minhas atividades artísticas foram cuidadosamente planejadas em 2012 sob uma estratégia bem traçada, porém sinto que estou perdendo tempo. Vejo a necessidade de um retiro de um ou dois dias para terminar, pelo menos, o meu fanzine. A estratégia envolve uma cadeia de atividades que ligam HQ's (o fanzine), o graffiti e, em menor grau, as pinturas. Portanto meu trabalho está focado e alguns antigos projetos e produções artísticas menos prioritários foram adiados e até mesmo abandonados.


O olhar distante... Em meus pensamentos há muito o que fazer.

            Prometi a mim mesmo, que ao postar a foto acima, faria um esforço maior na realização de meus trabalhos em um menor tempo. Quero fazer de 2012 um de meus anos mais produtivos e bem sucedidos.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Novembro de 2011: cinco anos de artes murais e graffiti

Stencil Clark feito a partir de um desenho
de observação de uma foto de Christopher Reeve.


            Só pude escrever esse artigo, que fala do mês de novembro, com a calma das férias de janeiro, sem a pressão que se tem quando há pouco tempo para descansar. Precisava de inspiração (só conseguidas em tempos e espaços calmos) para escrever da melhor forma possível sobre esse fato tão especial para mim.


Uma das paredes na Ocupação do Futuro Espaço Pantemporâneo
em dezembro de 2006. Meus primeiros stencils.


            Já se passaram cinco anos desde comecei a trabalhar com arte mural ou graffiti. Com o spray em paredes para ser mais preciso. No último mês de dezembro enchi de artes as paredes de um cômodo de uma casa que pouco depois foi demolida na Ocupação do Coletivo 132. Isso me fez lembrar da minha primeira vez q peguei em uma lata de spray para fazer artes nas paredes em 2006. Motivado pelas minhas pesquisas em meu TCC, cujo tema era o graffiti paulistano, fiz meus primeiros stencils influenciado por Alex Vallauri. Um deles era o de um Chevrolet 1955 conversível e estava ansioso para usá-lo em uma parede. Estava na faculdade na companhia de um amigo e vi o muro da quadra com pixações. Era uma manhã de pouco sol, e alguns dias antes eu havia espalhado desenhos e pequenos cartazes pela faculdade que eram parte de intervenções de um trabalho que estava fazendo na faculdade de artes. Na noite anterior, dia de aula, já pensava na ideia de trazer a latinha de spray e a máscara do Chevrolet 1955 (sim, a primeira...) para fazer o graffiti no muro. E assim o fiz. Meu amigo estava ao meu lado e me viu fazer a arte em poucos segundos. Uma imagem de um carro antigo ficou estampada no muro da faculdade. O conjunto de intervenções ganhara força maior com este graffiti. Pena que um dia depois ela fora mal apagada: ainda era possível ver a imagem como se fosse de um pálido cinza.
           Com 32 anos de idade e em um ambiente acadêmico fiz meu primeiro graffiti. Não foi durante a juventude ou adolescência, andando nas ruas com amigos skatistas. Fiz o caminho inverso. O que eu mais gostei dessa experiência foi a emoção. Passei a ter 17 anos naquele dia. E assim "peguei gosto" por fazer graffiti, e a segunda experiência viria logo a seguir, algumas semanas depois. Meu professor na época, o artista plástico Nelson Screnci me avisou sobre uma ocupação nos Jardins no final daquele ano. Entrei em contato com os organizadores e trabalhei durante quatro dias naquele ano no mês de dezembro. A Ocupação do Futuro Espaço Pantemporâneo foi mais uma ótima experiência (N. do A. leia mais em: http://clark-ars.blogspot.com/2011/01/minha-participacao-na-ocupacao-cultural.html), na qual aprendi muitas coisas e conheci grandes artistas como Jorge Tavares, Vado do Cachimbo, Celso Gitahy, Emol, Nove, Ramon Martins entre outros. O mais impressionante é que só usei duas latas de spray e usei até tinta acrílica para pintar nas paredes. Lambs também não faltaram. Essa experiência porém consolidou minha linha de trabalho no graffiti que é o stencil, nas quais fiz pleno uso nos anos seguintes. Produzia novas máscaras, usava e guardava.

As máscaras grandes, com minha personagem Dani.
Mais um trabalho na Ocupação do Futuro Espaço Pantemporâneo.

           No dois anos seguintes (2007 e 2008) produzi bem menos pois estava mais envolvido com pinturas, mas fiz pleno uso de máscaras que tinha usado na primeira vez. Tenho pouquíssimos registros fotográficos dessa época e era pego de surpresa com os convites dos amigos: não havia esboçado nenhum desenho de artes murais e também não dava tempo para fazer máscaras novas seguindo uma nova ideia. Com as artes de 2008 ainda pude produzir máscaras de minhas personagens e a frase: "Quer saber quem são elas?" Tinha uma lata de tinta latex e algumas latas de spray novas. Era muito chato pedir latas emprestadas aos amigos... A minha maior frustração é que não possuía uma câmera digital e não pude fotografar meu trabalho completo. Nem sei se ele ainda existe... As poucas fotos foram tiradas pela Cristina de Sá, a Sininho, que gentilmente as enviou.



Mais um conjunto de stencils em meu único trabalho mural em 2007.

 
Trabalhos inacabados e stencils espalhados pelo chão.
Foto: Cristina Sá.

Clark aparece em stencils que possuo até hoje.
Minhas personagens em destaque.
Foto: Cristina Sá.


           Em 2009 comecei a lecionar na rede estadual aqui de São Paulo e em uma das escolas que eu havia um imenso muro verde e liso em uma das escolas que eu lecionava. Tive a ideia de fazer uma bela arte mural na escola. Só havia um problema: a escola era de Ensino Fundamental I (o antigo primário) e assim tive que ponderar sobre a escolha dos temas que pintaria. O obstáculo transformou-se em criatividade e assim recorri ao meu caderno de desenhos para esboçar as novas ideias que tive. Fiz um muro bastante colorido, amplamente trabalhado com o spray à mão livre. Ao mesmo tempo combinei as imagens com alguns stencils. Passei a adotar essa linha de trabalho para as artes autorizadas mais minunciosas. Considero este trabalho como o mais bonito que eu já fiz. O trabalho se iniciou em novembro de 2009 e só terminei em janeiro de 2010.
            Para saber mais sobre esse trabalho veja o artigo neste blog em: http://clark-ars.blogspot.com/2011/01/artes-murais-na-ee-theodomiro-emerich.html
      

O muro que já exibi tantas vezes e em várias ocasiões.
Uma feliz combinação de stencils com figuração livre.
Sem dúvida uma de minhas artes favoritas.


A menina do centro eu chamei de "Medusinha".
Arte que fiz em homenagem à minha sobrinha Marina,
que, na época, não havia nascido.

            Em 2010 não fiz nenhuma outra arte mural, com o tempo, reconheci a necessidade de espalhar o graffiti pela cidade. E, assim, no ano seguinte, espalhei alguns stencils por locais como a Penha na Zona Leste de SP, Pinheiros e Vila Madalena Zona Oeste de São Paulo. Stencils de minha personagem Dani e do carro Chevrolet 1955 com a frase "Sigam os meus (des)caminhos" foram espalhados por estes locais.


Dani anuncia a chegada de um carro...



...e sua estranha mensagem...


...aparece em vários muros de São Paulo.

 
Dani, sentada, relaxa na Vila Sônia.
Meus amigos Johnny e Mandy sempre acenam para ela.

Dani na Vila Madalena em São Paulo anuncia novamente a chegada
de um carro e o novo trabalho que estava por vir
a algumas quadras dali...


...(Des)caminhos: Graffiti em Quadrinhos.


             E o melhor estava por vir no final do ano: graffiti em quadrinhos. A primeira aparição deles foi um trabalho tosco no muro da Av. Paulo VI. Semanas depois voltei lá para apagar e restaurar a minha arte. Também recebi o convite para participar da ocupação da Escola Estadual Fabio Fannuchi em Guarulhos. Como na EE Theodomiro Emerich fiz a combinação de spray livre com stencils, porém em um tempo muito menor. Aproveitei para ver os esboços que havia feito em meu caderno de desenhos. Mais detalhes sobre esse trabalho em: http://clark-ars.blogspot.com/2011/12/artes-no-muro-da-ee-fabio-fanucchi.html

A arte que fiz em Guarulhos na EE Fabio Fanucchi. Stencils com figurações livres.
Dia feliz com belos trabalhos, novos amigos e o carinho de uma cidade.


            A Ocupação do Coletivo 132 em dezembro de 2011 foi a ocasião em que fiz o maior número de artes. Um cômodo inteiro foi ocupado por mim neste dia. Mas esse é assunto para um novo artigo...
           
Minha personagem Natasha em visual psicodélico
(feito com stencils) atrás de uma mesa na Ocupação do Coletivo 132.


            Depois desse relato o que posso dizer sobre o graffiti em minha vida? Mais do que tudo foi renovação, não só pela arte mas pela ação em si. O risco, a adrenalina, a emoção de ver sua arte no muro nos dias seguintes, o diálogo da arte com o local e a mensagem que está contida nele. Também é muito gostoso ouvir as pessoas do bairro comentarem sobre seu trabalho e saber que ele tem uma certa fama, além, é, claro, os elogios das pessoas que passam pela rua quando me veem trabalhando. Nessa hora sinto que estou fazendo algo de realmente bom pelo povo de uma cidade. Como pude constatar quando trabalhei em Guarulhos na EE Fabio Fanucchi, quando os moradores me elogiaram muito, e até nesta ocasião a polícia elogiou meu trabalho.
          Afirmo com segurança que o graffiti mudou minha vida. E de quebra fiz muitos e novos amigos com essa arte tão rica e poderosa. Novos trabalhos e artigos estão a caminho...

domingo, 22 de janeiro de 2012

Atividades de janeiro de 2012

Mais uma nova imagem de meu futuro fanzine:
uma das páginas prontas de uma das HQ's.
Trabalho duro durante as férias de janeiro.


            O ano de 2012 começou com muito trabalho. Não viajei nestas férias de janeiro e assim aproveitei para colocar muitos projetos em ação. Por causa de tanta agitação e tantas atividades em meu trabalho, confesso que tive mais "fome" de arte do que qualquer outra coisa. Isso explica porque passei a virada do ano do mesmo modo que 2010 para 2011: desenhando. Aproveito para fazer uma reflexão sobre o desenho em minha vida: é minha principal manifestão artística, quase tudo o que consegui na vida no âmbito profissional foi por causa do desenho ou ele foi o ponto de partida para caminhos que trilhei nas quais jamais imaginaria onde chegar. E foi através dele que me aventurei pela arte e, porque não dizer, pela vida.


O meu desenho à lápis da página.


            Sobre o desenho também tomo a liberdade de citar alguns artistas sobre suas relações com o desenho como Degas e Ingres. Degas, moribundo, confessou que gostava muito de desenhar. O desenho, a busca da linha é uma das razões que a arte de Degas estabeleceu um diferencial aos seus contemporâneos impressionistas. Seus primeiros trabalhos revelam a precisão do desenho em imagens estáticas de influências neoclássicas de Ingres. Este por sua vez, por influência dos mestres do renascimento italiano, colocou o desenho como principal elemento de sua pintura, bem como sua principal ferramenta. Sua célebre frase: "o desenho é a probidade da arte", atestam a excelência que o mestre neoclássico conferia ao desenho em seu trabalho. Muitas vezes em detrimento da cor, e sobre elas Ingres afirmou: "a cor é o lado animal da arte".



Desenhos de Jean Auguste Dominique Ingres.
"O desenho é a probidade da arte."

Desenho de estudo de Degas de suas bailarinas.


           Por todas essas razões é que busquei um providencial recolhimento nestas férias para me dedicar ao âmago de minha arte que é o desenho. Mas não se trata de qualquer desenho: eram os desenhos que farão parte de meu primeiro fanzine. E o desenho havia sido empregado para vários fins artísticos, sendo que as histórias quadrinhos foram o meio na qual minha arte se manifestou com maior desenvoltura.
           Não posso, porém, postar todas as imagens dos desenhos que fiz, afinal elas estarão em meu fanzine que publicarei nos próximos meses. Os desenhos foram feitos à lápis (das marcas Faber Castel, Bic e Koh-I-Noor) dos tipos 2H (para os esboços e traços iniciais), F e lapiseira com minas HB para a definição dos traços e lápis 2B para as grandes áreas de preto. A arte final foi feita com nanquim da marca Koh-I-Noor (que, confesso achei um pouco ralo, afinal estou acostumado com a marca Talens de qualidade superior e acabamento acetinado) aplicadas com pincéis da marca Tigre de pelos de marta número 0 para os traços, número 4 de pelo de marta enúmero 16 de orelha de boi para grandes áreas de preto. Dispensei o uso do bico de pena pois produzia traços grossos demais. Os traços retos para o requadro foram feitos com canetas nanquim descartáveis de 0,1mm de espessura.


Detalhe da página três de uma das HQ's do meu futuro fanzine.
O início de um dos trabalhos de arte-final sobre o desenho à lápis.


           Os mesmos materiais e até as mesmas técnicas foram empregadas para a realização dos desenhos convencionais. Alguns desenhos terão uma relação intrínseca com os graffitis que fiz na Ocupação do Coletivo 132, no viaduto em Pinheiros e em Guarulhos, todos feitos no final do ano de 2011.

Graffiti em quadrinhos que fiz no final do ano passado.
Independente do meio o seu conteúdo tem relação direta com o fanzine.

           Em função de tantos desenhos para o fanzine, também defini os conteúdos que farão parte do número um e também do número dois, que já tem algumas artes prontas, afinal algumas páginas descartadas do número um (por falta de espaço) foram remanejadas para o número dois, que, embora não tenha previsão de lançamento, já possui oito páginas prontas. A HQ "A Bordo Deste Carro..." só aparecerá no número dois. As capas das duas edições já foram definidas, sendo apenas a da edição um está pronta. A parte editorial não parou por aí, pois tive que planejar gasto, custos e elaborar estratégias para a produção, tiragem e lançamento, afinal devo lembrar a todos que não conto com a colaboração de nenhuma outra pessoa para produzir este fanzine. Fiz os desenhos, roteiros das HQ's, arte-final, editoração e fotos sozinho. Bem como custearei sozinho (de meu próprio bolso) a publicação do fanzine. Árduas tarefas, mas que aceito com gosto e prazer.
           O mês de fevereiro será reservado para a editoração do número um e continuação dos desenhos da edição número dois, planejamento e início dos desenhos da edição número três.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Artes no muro da EE Fabio Fanucchi


As artes no muro da EE Fabio Fanucchi em Guarulhos - SP.

            No dia 26 de novembro de 2011 fiz algumas artes no muro da EE Fabio Fanucchi na Vila Galvão na cidade de Guarulhos na Grande São Paulo, a convite de Baster. O evento foi batizado de 1º Encontro de Graffiti no Fábio Fanucchi.
            Em artes autorizadas como estas, em muros maiores, passo muito, mas muito tempo trabalhando e costumo caprichar mais na arte. Procuro deixar tudo bonito e colorido, ao contrário dos stencils monocromáticos feitos em segundos. Além de tudo trabalho os sprays com a figuração livre e combinado com stencils.
            Portanto aproveitei para usar pela segunda vez a nova série de stencils que criei: os (des)caminhos. A primeira vez que usei estes stencils foi na Avenida Paulo VI em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo. No início havia pouco espaço para lançar um trabalho novo, por isso só lancei dois stencils... Ironicamente lancei minha primeira "tiragem" na íntegra em Guarulhos, pois este trabalho tem um conceito tipicamente paulistano. Este conceito paulistano existe porque a história de Dani e Clark se passa em São Paulo e há poucos desdobramentos dela fora da capital paulista.


Positividade e dificuldades

          Ao chegar em Guarulhos no local da escola (não tive dificuldades para chegar, graças à orientação de amigos, Google Maps e um GPS em meu cérebro), deparei-me com o enorme muro branco. A escola de amplas paredes brancas ocupava uma quadra inteira do bairro. E de longe já era possível avistar alguns artistas trabalhando nas paredes. Ao chegar o Baster e mais uma moça me reconheceram. Eles sabiam que eu viria, pois o evento fora combinado através do Facebook. A moça me viu de óculos e me perguntou: "você é o Clark não é?" - respondi em seguida bem humorado: "Nossa... como é que você descobriu?". E nesse clima positivo, apanhei o meu crachá e caminhei pela rua para escolher um bom local para fazer minha arte. Catei o caderno de desenhos e alguns desenhos que tinha feito há alguns anos e resolvi observar antes de trabalhar no muro. Antes de fazer qualquer traço na parede colei meus stencils da HQ (des)caminhos em sequência do modo que iria trabalhar. Um homem de meia-idade e de óculos parou seu carro próximo a mim, um Ford Fiesta vermelho e me fez perguntas sobre as máscaras. Ele fez uma observação que "antigamente, nos anos 80 se faziam muitos graffiti com máscaras". Disse à ele que o graffiti stencil era minha principal vertente de trabalho em arte urbana, e que era influenciado por Alex Vallauri, Maurício Villaça, OZI e Jorge Tavares. Pouco depois ele se despediu de mim e foi embora. Essa foi a primeira (de muitas) abordagens enquanto trabalhava. Pouco depois comecei a trabalhar. Em seguida foi a vez da polícia: a Guarda Municipal de Guarulhos. O policial se aproximou com sua viatura, me cumprimentou e em seguida me perguntou sobre o evento e se alguém estava pixando. Conversei com ele por alguns minutos. Ele percebeu que tudo estava bem e em ordem. Em seguida viu meu trabalho e minha arte. Gostou do que viu e elogiou meu trabalho. Agradeci o elogio e ele se despediu de mim.

Os stencils (des)caminhos fixados sobre a parede
davam uma ideia do tamanho que as artes teriam.

            Apesar do bom humor e do clima positivo e amistoso, o trabalho foi marcado por muitas dificuldades. Em primeiro lugar eu fui a Guarulhos carregando uma mochila cheia de latas de tinta spray e outras bugigangas, uma enorme pasta tamanho A2 lotada de stencils e uma lata de tinta latex amarela que comprei de última hora. Ninguém me acompanhou nem mesmo para me ajudar. Bem mas esse foi um caso de teimosia, pois poderia chamar alguém para me ajudar. Meu orgulho leonino não me permitiu... A segunda dificuldade foi minha lata de tinta latex acabar rápido. Não tinha como largar meu material na rua para buscar água para diluir a tinta na bandeja. Mas água não faltou cerca de duas horas e meia depois de iniciar meu trabalho: ela veio em forma de chuva. Retirei às pressas todo o meu material, pois tinha medo de molhar minha pasta lotada de stencils feitas com papel duplex e triplex. Seria péssimo ter esse material todo molhado... Aproveitei para almoçar e tomar de uma só vez quase um litro de suco de laranja, tamanha era minha sede... Após o almoço fiquei sentado na quadra para esperar a chuva passar. E ela não passava. Pensei até em voltar para casa, mas fiquei. Achei que deveria ficar e ao ver a chuva diminuir voltei ao trabalho.

O estado que deixei o muro quando começou a chover mais forte. 

Depois da chuva

         Fui premiado por minha persistência, pois a chuva passou e fiz um trabalho, modéstia à parte, muito bom e elogiado por muitos. De volta ao trabalho, comecei a aplicar os stencils em forma de selo e as figuras que ficariam dentro dele. Escolhi a chave Clark, o stencil "Sigam os meus (des)caminhos" e o stencil com o rosto do Clark Kent, que muitos acreditam ser meu autorretrato... ledo engano...



Os selos na parede: os selos da chave, o Chevrolet 1955 e o Clark .
O selo da chave.

O selo "Sigam os meus (des)caminhos, com o Chevrolet 1955.

O selo Clark.

        Deixei para o final a aplicação da tira (des)caminhos. Acabei com a tinta de uma lata de spray Montana da cor branca para fazer a cor de fundo. O tom de branco do Montana era ligeiramente mais amarelado que o branco da Worx. Isso me deixou feliz, pois lembraria um papel envelhecido e amarelado de HQ antiga. Aplicar o stencil da HQ foi difícil, pois a primeira máscara era muito grande e a tinta Montana preto fosca entupia. Pedi ajuda a um garoto que estava por ali com sua bicicleta para segurar a máscara na parede. Algo engraçado aconteceu: o bico da tinta ficou preso e a tinta saía sozinha. Eu só direcionava o jato pela máscara e não fazia nenhuma força. Um outro empecilho era a parede: ela não era lisa coberta com massa, era toda rugosa e áspera, e isso interferiu um pouco na qualidade da pintura. Mesmo assim o trabalho ficou muito bom. De todos os trabalhos que fiz sem dúvida esse foi o mais chamativo. Todo mundo começava parar para ver a HQ  "impressa" na parede e tentavam ler o que estava escrito.

A primeira edição da HQ/graffiti (des)caminhos feita na íntegra.


A Moça de Perfil


        Depois dos (des)caminhos, iniciei o trabalho da Moça de Perfil. Já havia pintado algumas telas com esse tema e fiz uma arte mural há dois anos atrás. Desta vez fiz a arte com um pouco de pressa e mais destreza, haja visto que não sou tão experiente em trabalhar com o spray com a mão livre. Minhas habilidades em desenho, as tintas certas para o trabalho e os bicos finos das latas foram de extrema valia na qualidade de meu trabalho.
       Comecei com o contorno com a tinta verde menta sobre o fundo branco da parede. Apliquei uma tinta verde para pintar o veu. O conteúdo da lata se foi só nesse veu... Em seguida preenchi o veu com stencils meus, o que quase gerou uma texturização. Logo depois comecei a trabalhar no rosto dela, com atenção aos detalhes dos olhos e boca.
            Levei pouco tempo para concluir meu trabalho. Ainda aproveitei para pintar uma borboleta nos desenhos que já estavam no muro.


A Moça de Perfil já é uma arte de presença garantida em minhas artes murais.
     
Satisfação
     
            E assim, por volta de sete e meia da noite, terminei todos os meus trabalhos no muro da escola. Tirei muitas fotos e ainda fui novamente abordado. Um senhor apareceu por ali, observou meu trabalho e me elogiou muito. Ele conversou comigo e adorou a arte da HQ que fiz na parede. Eu o encontrei no bar logo depois quando comprei uma garrafinha de água mineral. Ele falou sobre meu trabalho para todos no bar. E assim fiz novos amigos. Bem como os artistas que trabalharam ali. Conheci muita gente que adorou meu trabalho.

Imagem noturna de minha arte.
A HQ em ângulo ainda mais enigmática.

            Sabia que estava fazendo algo bom e quase caridoso. Encarei meu trabalho como um presente meu à população de Guarulhos. Muita gente parava diante de meu trabalho e o observava atentamente. Eram crianças, adolescentes, jovens e idosos que olhavam, sorriam e me elogiavam. Via os carros reduzirem suas velocidades ao passarem diante de meu trabalho. Isso foi bonito e gratificante, bem como a simpatia, receptividade e cortesia do povo guarulhense.
         Tirei algumas fotos de outros trabalhos ao voltar para casa. Muitos trabalhos eram excelentes.
         Voltei para casa com poucas tintas de sobra. Estava muito cansado, sujo, faminto e com sede. Não tive forças para sair àquela noite. Porém estava muito feliz e com o coração leve por ter tocado a alma de muita gente com meu simples trabalho. Tomei um banho demorado, fiz uma refeição leve e dormi em seguida. Um merecido descanso de uma semana muito cansativa, porém gratificante.
         Agradeço a todos os organizadores do evento, aos artistas envolvidos, aos novos amigos e ao povo de Guarulhos que apreciou e adorou meu trabalho.